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Petrobras faz no país 75% de suas compras
21/6/2010
O índice de nacionalização de encomendas da Petrobras subiu de 57% para 75%, um salto de US$ 18 bilhões, em seis anos. Para os críticos, a política do governo é excessivamente nacionalista e pode gerar reserva de mercado, como aconteceu com a informática no passado.
O governo americano quer que a BP crie uma conta para pagar os pedidos de indenização com o vazamento de óleo.
Estatal comprou 75% de bens no país em 2009, US$18 bi a mais que em 2003
Oito milhões de parafusos, 824 mil válvulas e 85,4 mil toneladas de aço, passando por navios petroleiros, são apenas parte das necessidades da Petrobras para tocar seus projetos até 2014, que devem aumentar substancialmente com a inclusão dos investimentos nos campos do pré-sal na Bacia de Santos. E a participação da indústria nacional nessas compras só tem crescido nos últimos anos. Em 2009, do total de US$31,2 bilhões investidos pela Petrobras em projetos no país, US$23,5 bilhões foram encomendados à indústria local. Esse volume representou 75% do total de compras da estatal no Brasil, bem acima dos 57% de conteúdo nacional de 2003, e superando a meta do governo federal de 65% em média. Mas há quem veja risco de que esse alto índice de nacionalização gere reserva de mercado, como aconteceu com a informática nos anos 1980.
O coordenador do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp) - programa de apoio à capacitação da indústria nacional, desenvolvimento tecnológico e de formação de pessoal - José Renato Ferreira de Almeida disse que o aumento do conteúdo nacional, de 57% em 2003 para 75% no ano passado, representou compras adicionais no país de US$18 bilhões ao longo desse período e a geração de 755 mil empregos:
- O esforço da indústria foi grande, considerando o salto dos investimentos da companhia de US$5,6 bilhões no país em 2003 para US$31,2 bilhões no ano passado.
Com o início dos projetos de produção no pré-sal, o volume de encomendas da Petrobras dará salto ainda maior nos próximos anos. Almeida acredita que o desafio da indústria nacional será manter o índice de encomendas nos atuais 75%.
Analista: risco de reserva de mercado
O Prominp fez um mapeamento de todas as demandas das operadoras de petróleo no país, que tem a Petrobras como a de maior peso, com base no Plano de Negócios da Petrobras de 2009-2013 (a estatal deve anunciar o novo plano de 2010-2014 até o fim deste mês). O levantamento, que é acompanhado trimestralmente, chega ao detalhe das matérias-primas e dos componentes, como os oito milhões de parafusos, as 824 mil válvulas, ou as 85,4 mil toneladas de aço.
Almeida explicou que a partir desse levantamento é possível identificar gargalos, necessidade de ampliações de capacidade instalada ou de capacitação tecnológica. O trabalho é feito pelo Prominp, com Petrobras e entidades como Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) e Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), além da participação de indústrias e fornecedores.
O coordenador do Prominp garante que esse elevado índice de nacionalização não representou um preço maior nas compras feitas no país:
- O desafio é justamente saber qual o nível que a indústria local consegue atender de forma competitiva.
O especialista Adriano Pires Rodrigues, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), disse que, apesar de ser favorável à política de incentivo à indústria local, acha que a nacionalização é muito exagerada e que deveria ter prazo determinado:
- Vejo um certo exagero. O governo deveria mostrar que é temporário. Essa política atual é excessivamente nacionalista, o que pode gerar uma reserva de mercado como foi na informática no passado.
O advogado especializado em petróleo e energia Heller Redo Barroso comparou a política do governo brasileiro à desenvolvida pela Noruega nos anos 1970:
- Permite a
Fonte: O Globo |